Veja também meu tumblr secundário destinado apenas à fotografia:

Por quê? │Meu interesse pela escrita vem de longa data. Tudo começou quando, na quarta série, houve um evento literário no colégio, onde tinha-se que escrever uma poesia sobre algo que fazia parte do seu cotidiano. Ao apresentar minha poesia sobre minha relação com meu piano, a professora disse que o texto era inapropriado; portanto, escrevi uma besteira sobre um livro que se lia no espelho. Na sexta série, o clímax em meus estudos era a nova poesia que eu colocava no fim da prova de português, onde eu pedia para a professor corrigir. Depois de um hiato o qual dediquei meu tempo integralmente em ser criança – e como aproveitei esse tempo... –, me vi voltando a escrever novamente aos 13 anos, início da minha adolescência. Esse ano um marco importante na minha vida pois foi o primeiro ano em que eu vivi distante dos meus pais, na casa de meus tios, em uma cidade nova. Foi um ano decepcionante e impressionante em vários aspectos: embora eu tenha sofrido – não vejo melhor palavra para descrever tal evento –, eu consegui me reinventar à cada dia, me tornando cada vez mais forte e independente – dádiva que hoje me atrapalha em alguns sentidos. Vi na escrita um jeito maduro de debater sobre fatos – eu e meu tio só nos comunicávamos assim; escolha minha – e expressar minhas emoções mais íntimas. Desde então, é assim que posto.

Sobre│O meu escrever é mais para mim do que para qualquer pessoa. Ao invés do que muitos fazem, não me preocupo em narrar utópicas histórias de amor e extremistas linhas de sofrimento inexistente: embora usasse muito desse método para promover minhas ideias, hoje em dia meus textos se pautam em uma narração do “ambiente” enquanto os personagens deduzem a origem do seu sofrimento, para então descobrirem como resolvê-los . Não acredito que há necessidade de explicação de o porquê dessa ideia. Além de pingados textos no tumblr, minha escrita abrange o interesse pela poesia, contos e colunas, podendo eventualmente seguirem a qualquer outra vertente. Minha inspiração decorre dos dramas do dia-a-dia que enfrento ou que sinto que poderia enfrentar, sendo pouco influenciado por coisas positivas. Isso não é opcional: já faz parte de minha personalidade, devido a algumas desavenças em minha vida até o certo momento. Meu modo de escrever é algumas vezes visto com um pastiche da escritora Lionel Shriver, já que, como Lya Luft, ela é uma das minhas escritoras prediletas e inspiradoras, mas é inegável que meus textos refletem um jeito mais pessoal de lidar com meus próprios problemas, recorrendo ao jeito comparativo e mais expressivo de demonstrar os fatos que quero apresentar.



“Disse-me ele, certa vez, quando falávamos a propósito das chamadas crueldades da Idade Média:
– Tais horrores na verdade não existiam. Um homem da Idade Média condenaria totalmente nosso estilo de vida atual como algo muito mais cruel, terrível e bárbaro. Cada época, cada cultura, cada costume e tradição têm seu próprio estilo, têm sua delicadeza e sua severidade, suas belezas e suas crueldades, aceitam certos sofrimentos como naturais, sofrem pacientemente certas desgraças. O verdadeiro sofrimento, o verdadeiro inferno da vida humana reside ali onde se chocam duas culturas ou duas religiões. Um homem da Antiguidade, que tivesse de viver na Idade Média, haveria de se sentir-se tão afogado quanto um selvagem se sentiria em nossa civilização. Há momentos em que toda uma geração cai entre dois estilos de vida, e toda evidência, toda moral, toda salvação e inocência ficam perdidas para ela. Naturalmente, isso não atinge a todos da mesma maneira.
Ouvindo isso, meditei muitas vezes nessas palavras. Haller pertence àqueles que se comprimem entre duas épocas, que vivem à margem de toda segurança e inocência, àqueles cujo destino é sofrer toda a incerteza do destino humano agravada como um tormento e um inferno pessoais.
O Lobo da Estepe, Hermann Hesse (Prêmio Nobel de Literatura)
As pessoas acham que, ao evitar problemas externos, suas vidas se tornam mais fáceis, e, portanto, felizes; mas o que não se compreende ainda é que a essência da vida é, quer queira quer não, a solução de problemas diários, que geram novos problemas para o dia seguinte, podendo estes serem seus ou tornam-se preocupação de outro alguém. A privação do mundo geral, adotando para si um próprio universo, não te livra de problemas, mas, sim, gera novos ainda muito piores que, exatamente por serem únicos e exclusivamente seus, são terrivelmente insolúveis.
A mulher do cachecol cor de… rosa.
Tudo envelhece ao pesar dos olhos, e com a concepção de valor emocional e respeito que temos, decidimos se o envelhecer se torna algo lindo ou ultrapassado para ser apreciado por nós. E a regra se aplica às fotografias desbotadas na última gaveta, as cartas rasgadas e praticamente ilegíveis dentro de alguma caixa debaixo da cama, ou os ursos velhos de alguém especial quando se precisa da prateleira para colocar coisas novas em seu quarto. Há um momento na vida no qual decidimos se deixamos objetos em nosso quarto ou se os trocamos por coisas novas e os colocamos no porão. É nesse momento de conflito pessoal, que dura segundos para a pessoa que tem que trocar, mas dura o eterno decisivo para aquilo que é trocado, que podemos observa o quanto algo significa para alguém. Portanto, quanto vale um amigo? Vale uma felicidade, muito dinheiro, a realização de um sonho, ou quem sabe vale um amigo melhor? O que podemos usar para medir o valor de uma amizade? Audaciosamente ouso em pensar em uma resposta.
Conhecê-la em um dia qualquer – o qual não tenho a mínima recordação de data – teve tudo para ser obra do acaso momentâneo, em que apenas palavras trocadas durante uma semana, quem sabe, fosse o suficiente para preencher a necessidade do momento. Surpreendentemente, a semana alcançou meses, e meses se tornaram momentos de pura felicidade, onde a relação não se tratava apenas de quantidade de risos, mas sim a facilidade para arrancá-los um do outro. Sempre é assim, não? Desfrutamos de algo que tanto queremos até gastá-lo ao máximo, se preocupando sempre em desfrutar o agora. Mas crianças crescem, e os brinquedos tornam-se ultrapassados, hora de serem substituídos: é hora de encarar o sol sem colocar a mão na frente ou juntar as sobrancelhas. Quanto vale uma amizade então?
Ao meu ver, você sempre foi a menina que gosta de rosa, que ri engraçado e longamente – riso contagiante, diga-se de passagem –, que não tem medo de falar as coisas que pensa, mesmo que elas não sejam as melhores a serem ditas a quem gosta. Bem, eu não mais abro o canto da cortina para ver o sol e sorrir com qualquer piada que você tenha feito sobre isso, não corro para o notebook para ver sua última postagem sobre nossa piada interna, não assisto aquele programa que tanto comentávamos e penso que isso é demais ao ponto de rir muito – um sorriso rápido basta antes de trocar o canal. Quanto vale uma amizade então?
Compartilhamos alegrias, dúvidas, pesares, desastres, momentos de mudanças, mas ainda continuamos aqui. Ao olhar pro passado em busca do que não temos mais hoje, nós somos domados por um alívio que pressupõe a culpa. Afinal, deve ter um jeito para fazer as coisas durarem para sempre. Por que algumas pessoas casam para sempre? Por que alguns adultos ainda guardam consigo um lençol velho de infância? Tenho duas respostas: ou as pessoas têm o mesmo sentimento do começo, ou elas aprendem a entender o jeito que as coisas se transformam e estabilizam; afinal, a vida é isso.
Fico feliz por você, fico mesmo. É bom ver que você tem o que merece, porque merece sim toda a felicidade que te circunda. Posso te desejar saúde, paz, felicidade, dinheiro… o que quer que seja, mas nada é tão significativo e importante como o que estou preste a dizer. Além de tudo isso que se deseja em um aniversário – por favor, não me faça numerar coisas as que já estamos cansados de saber – , quero lhe dar uma dica, que você talvez deva já estar aplicando ou talvez esteja apenas em sua mente porque você tem medo de executar, mas não deixe o passado ser decisivo o suficiente no seu futuro. Passado é o pesar, futuro é desejo e sonho. Se você acredita tanto em sonho – digamos então que seja ser escritora –, não se arrependa de ter que tirar um urso da prateleira para colocar mais alguns livros. Amizade não é a extensão ao eterno, mas sim a compreensão dos seus desejos, dos nossos desejos e os desejos do outro. Quem te ama de verdade, vai entender suas decisões; e, quando não, bem, elas vão te perguntar. Não tenha medo do futuro só porque ele ameaça com a ausência do passado.
Aliás, o porão ainda faz parte de sua casa.
Quem te conhecer agora talvez ache que aquela pessoa alegre tentando pegar o cachecol que dança ao vento seja uma garota, mas quem te conhece, quem vive também seus passos, sabe que aquela fotografia não é a mesma de meses atrás, porque nada escapa do pesar dos olhos.
Se a sinceridade não foi suficiente, apele para o que construímos durante todos esse tempo. Tudo de bom para você, e me desculpe se não tenho paciência para enumerar o óbvio. Um brinde a você, à sua vida, à sua felicidade. Mais um ano, mais história enfim.
Aleex Zalach.
Você tem agido como um valentão terrível ultimamente. Fumando um monte de cigarros ultimamente. Mas, por dentro, você é apenas um bebezinho. Está tudo bem dizer que você tem um ponto fraco, você não tem que estar sempre no topo. Melhor ser odiado do que amado, amado, amado por aquilo que você não é.
Você está vulnerável. […] Você não é um robô. Você é adorável, […] mas você está apenas incomodado.
Você foi colocado junto com as crianças não amadas, de quem nunca gostou e nunca confiou […]. Nunca se comprometendo com nada, […] não seja tão patético, só se abra e cante. Adivinhe só, eu não sou um robô.
Quando tentamos encontrar algum vestígio de inspiração possível em uma noite comum, o mínimo que podemos imaginar são estrelas brilhando em diferentes tons nessa imensidão de fundo negro. Deitados com as mãos cruzadas ao peito, pernas esticadas ao acompanhar tal posição despretensiosa, sustentamos um sorriso sem motivo para o escuro chamuscado pelos brilhos bizarramente fora de contraste, como se de lá pudessem sair respostas incríveis e pensamentos inéditos. Isso é o que esperamos, já que tantas pessoas dizem que é exatamente isso que se sente quando você o faz. Portanto me deitei, ali mesmo na terra quase poeira, suja. Fiquei ali, olhando para o céu, esperando que aquilo fizesse algum sentido. Pulei meu olhar de estrela em estrela, formando letras e formas com suas simetrias, ainda aguardando a razão. Nada apareceu nos primeiros segundos. Não foram as estrelas que me disseram, não foi o meu relógio de pulso que apitara qualquer sinal de um cronômetro não programado. Foi aquele ruído que soltei entredentes, aquele alívio de pressão estridente, que me fez entender que algo não estava correto. Não sei, porém, se foram as estrelas que me fizeram perceber isso ou se tudo não passa de ocasionalidade, mas foi ali, de olhos fixos no céu, que eu deixara algo invisível voar de minhas mãos, e fiquei ali, de rosto para cima, perdido no espaço entre brilhos, fitando essa coisa voar cada vez mais distante, com um sentimento similar a de uma criança que olha seu balão se perder na imensidão do céu ou de obstáculos da paisagem. Obviamente as coisas acabam, mas há uma linha tênue, tão fina quanto uma linha de costura mas tão resistente quanto correntes de aço, que prende essa coisa em alguém, e se mantém ali, inalterada, esperando que alguém a note a ponto de tentar rompê-la. Essa linha nada mais é do que a descrença do fim, na vontade de repor o passado. Nos agarramos à ideia de eternidade de uma coisa, mesmo sabendo que essa coisa não nos dará mais frutos, mais consequências. Ficamos abraçados com um fantasma irreal, uma cópia barata de um sonho desfeito, com sorrisos largos no rosto enquanto tentamos buscar em todas as direções uma razão para provar a nós mesmos de que aquilo realmente está funcionando; E permanecemos nesse silêncio inútil, porque essa encenação nunca funciona, mas estamos esperançosos demais para nos darmos conta disso.